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Barbie: 5 temas sobre saúde mental retratados no filme

Dependência emocional, ansiedade e depressão são alguns dos assuntos tratados no filme, que conta com Margot Robbie e Ryan Gosling como Barbie e Ken

Sabendo dosar humor com temas delicados (além de, claro, incluir muitos tons de rosa, glitter e saudações à boneca mais vendida no mundo), o filme Barbie estreou nos cinemas na última quinta-feira (20). Nas redes sociais, ele se tornou um fenômeno meses antes de seu lançamento.


Dirigido pela roteirista norte-americana Greta Gerwig, o longa conta com grandes nomes no elenco, como Margot Robbie (que interpreta a "Barbie Estereotipada") e Ryan Gosling (que dá vida ao Ken). O enredo gira em torno da personagem da atriz australiana, que, ao perceber que sua vida na Barbieland não é tão perfeita assim, passa a se questionar sobre o sentido de sua existência.



Ao falar da cidade impecável da boneca em contraste com o mundo real, Gerwig consegue abordar questões importantes, como feminismo e saúde mental. Ainda que de forma leve e cômica, Barbie coloca em alguns personagens traços de transtornos e comportamentos psicológicos muito discutidos atualmente, incluindo ansiedade e depressão. A seguir, veja alguns dos pontos abordados na trama.


Pensamentos intrusivos


Sabe aquelas ideias que surgem do nada e não saem da cabeça, aparecendo várias vezes ao dia? De acordo com um artigo do periódico HealthLine revisado pela psicóloga clínica Bethany Juby, da Universidade de Illinois, elas podem ser os chamados pensamentos intrusivos – imagens ou cenários inesperados que vêm à nossa mente.


Eles acontecem com frequência e, na maioria das vezes, são estranhos e angustiantes. A condição não apresenta perigo enquanto não atrapalhar a rotina e o estilo de vida do indivíduo.


Ainda de acordo com o Healthline, imaginar coisas angustiantes é normal; contudo, os pensamentos intrusivos também podem estar ligados ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).


Em Barbie, vemos a personagem de Robbie, que carrega o peso de dar vida à boneca mais perfeita na Barbieland, ter um pensamento intrusivo sobre a morte durante uma de suas festas. A ideia a acompanha pelos dias seguintes ao evento, fazendo-a tomar a decisão drástica de deixar o mundo que ela conhece.


Dependência emocional


“Eu sou sempre o número dois”. O pré-refrão da música cantada por Ryan Gosling na trilha sonora de Barbie reflete um pouco da dependência emocional vivida por seu personagem.


Enxergando-se apenas como complemento da Barbie Estereotipada, e tendo-a como uma referência para tudo, Ken acaba se perdendo em si mesmo e não desenvolve sua personalidade. Inclusive, ele chega a ser alertado pela protagonista de que é emocionalmente dependente dela.


O que o personagem enfrenta é vivido por várias pessoas na realidade. Segundo um artigo do HeathLine revisado por Timothy Legg, professor-adjunto da Escola de Pós-Graduação em Educação e Psicologia da Universidade Pepperdine (EUA), a dependência emocional ocorre quando uma pessoa delega à outra parte da relação o papel de atender a todas as suas necessidades emocionais.


Nesse cenário, o indivíduo tem uma visão idealizada do relacionamento e acredita que sua vida carece de sentido sem a outra pessoa.


Alguns sintomas desse quadro podem ser a dificuldade de tomar decisões importantes na relação, estresse extremo e cuidado excessivo sobre o parceiro.


Ansiedade


Considerada o “Mal do Século”, a ansiedade é um dos vários sentimentos que a Barbie descobre no mundo real. Com uma quantidade enorme de informações novas para lidar (como assédio, brigas, velhice e fome), a boneca fica num estado de alerta constante e chega até a sentir um aperto no peito.


De acordo com o Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, a ansiedade é um sentimento natural e está relacion


Contudo, quando o sentimento se mantém por um período mais longo e ocorre de forma mais intensa, pode ser uma patologia. Os transtornos de ansiedade acometem pessoas que, geralmente, se preocupam intensamente e não conseguem lidar com essa autocobrança, a ponto de comprometer sua qualidade de vida e seu bem-estar. O tratamento envolve psicoterapia e, em certos casos, medicação prescrita por um profissional de saúde.


Depressão


“Compre agora a Barbie Depressiva”, sugere um trecho do filme no qual a personagem de Margot Robbie passa por um momento difícil. Esse brinquedo provavelmente não seria tão atrativo nas prateleiras; porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 300 milhões de pessoas tenham depressão. Ou seja: não se pode ignorar esse tema.


O Ministério da Saúde aponta que esse distúrbio afetivo está presente na humanidade há muito tempo. Em Barbie, podemos ver os sintomas mais comuns relacionados à depressão, como baixa autoestima, tristeza e pessimismo, afetando a protagonista.


Crise existencial


“EU NÃO SOU BOA O SUFICIENTE PARA NADA!”, diz uma Margot Robbie chorosa numa das inúmeras cenas que viraram meme nas redes sociais. Afinal, se até a Barbie, que tem mais de 180 profissões e é um ícone da beleza, sente-se assim, quem dirá os meros mortais?


No filme, a boneca passa a ter uma crise existencial quando nota que seu mundo, Barbieland, não é assim tão perfeito, e que ela mesma também não é impecável como acreditava ser.


A crise existencial é estudada desde a década de 1920, tendo sido objeto de estudo de psiquiatras como Kazimierz Dabrowski e Irvin D. Yalom. Conhecida também como ansiedade existencial, é uma condição em que o indivíduo sente descontentamento e angústia constantes.


De acordo com Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva, os episódios desse tipo de crise são caracterizados por conflitos internos e ansiedade, o que potencializa a angústia. O quadro pode ser causado por vários motivos, como grandes mudanças na vida pessoal ou profissional.


Fonte: revistagalileu, Por Maria Clara Vaiano




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